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Pesquisa capacita agricultores para produção de adubo orgânico

Publicado: Quinta, 04 de Março de 2021, 19h29 | Última atualização em Quinta, 04 de Março de 2021, 19h29 | Acessos: 419

Oficinas geraram resultados imediatos para a comunidade Camurituba-Beira

Agricultores de Camurituba-Beira participando da oficina de capacitação.
imagem sem descrição.

Por Gabriel Mansur Foto Acervo da Pesquisa

A agricultura familiar é uma importante atividade de produção. Ela gera trabalho e renda, preserva a cultura, a identidade e os valores locais, é responsável pela redução do êxodo rural, diminui a desigualdade social e promove o desenvolvimento regional.

Segundo o Censo Agrícola de 2006, do IBGE, essa forma de cultivo da terra foi responsável pela produção de 70% do feijão consumido no Brasil, além de 83% da mandioca, 57,6% do leite de vaca, 51% das aves e 59% dos suínos. Mesmo com tamanha importância para a nossa alimentação, faltam incentivos para essa forma de produção.

Tendo em vista a importância dessa forma de cultivo, a pesquisadora Waldilene do Carmo Garcia apresentou a dissertação Capacitação de agricultores familiares para a produção de adubo orgânico e defensivos naturais na comunidade de Camurituba-Beira no município de Abaetetuba-PA, com o objetivo de “ajudar alguns agricultores na mitigação de gastos na compra de adubos e defensivos naturais”, explica Waldilene.

A dissertação foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Local da Amazônia (PPGEDAM), do Núcleo de Meio Ambiente (Numa/UFPA), com orientação do professor Norbert Fenzl e coorientação do professor Aquiles Simões. A comunidade de Camurituba-Beira foi selecionada, pois pretende cultivar alimentos orgânicos.

“Entre os problemas enfrentados pelos agricultores familiares, está o difícil acesso às políticas públicas, principalmente quando eles não estão organizados em associações ou cooperativas”, relata a pesquisadora. Com a capacitação para a produção do adubo orgânico, o pequeno agricultor pode reduzir os custos com adubo, outro problema enfrentado pela categoria.   

Oficinas responderam às demandas da comunidade

Primeiramente, foram realizadas entrevistas com os agricultores de Camurituba-Beira. Essa conversa identificou os aspectos socioeconômicos de cada um, além das experiências e das principais dificuldades. Apesar das diferenças entre as propriedades cultiváveis, as rendas e a comercialização dos produtos, a compra dos adubos afetava diretamente a rentabilidade da maioria.

Um dos agricultores entrevistados utilizava 20 pacotes de adubo mensalmente, a um custo de 200 reais. O ideal seriam 40 pacotes/mês, mas faltavam recursos financeiros, o que acabava prejudicando a produtividade de alface e de outras hortaliças. “Com as oficinas, vi que posso aumentar a minha plantação, porque agora vou fazer meu adubo melhor do que aquele que nós compra (sic)”, afirma outro agricultor que enfrenta o mesmo problema.

Com base nas entrevistas, foram realizadas três oficinas com conteúdo voltado para suprir as necessidades identificadas. “O projeto foi executado com oficinas teóricas e práticas, acompanhamento das propriedades, levantamento de dados, trocas de saberes, de experiências e de semente entre os moradores. Isso contribuiu para o enriquecimento da pesquisa”, avalia Waldilene do Carmo Garcia.

O adubo produzido na pesquisa foi obtido com a coleta de resíduos sólidos gerados na comunidade, como a casca de mandioca, as folhas e os caules de bananeira, e o caroço de açaí. A produção do adubo com os resíduos orgânicos também contribui para a diminuição da poluição. “Na comunidade, não há coleta de resíduos, então, o descarte ocorria de forma aleatória em estradas, ramais, igarapés e próximo das casas”, conta Waldilene Garcia.

Teoria, prática e resultados socioambientais e econômicos

A primeira oficina abordou os processos bioquímicos da decomposição da matéria orgânica, a importância da compostagem para o desenvolvimento local, a reciclagem como oportunidade de renda extra, a produção de adubo orgânico e o aumento da produtividade agrícola. Após as explicações, foi realizada a primeira compostagem. Após o prazo de 90 a 120 dias, o adubo ficou pronto e foi dividido entre os agricultores.

A segunda oficina abordou principalmente a mandioca: sua importância para a cultura do Pará, os impactos do descarte da casca da mandioca e as razões para a sua reciclagem. Depois disso, o grupo construiu uma composteira à base da casca de mandioca e de outros ingredientes. A terceira oficina seguiu os passos da anterior e teve como produto principal o caroço do açaí.

“A pesquisa gerou um adubo de qualidade e quantidade suficiente para suprir a demanda dos cultivos, aumentar a produtividade e diminuir custos”, relata a pesquisadora. Além disso, a pesquisa gerou um guia (ficha agroecológica) contendo o passo a passo sobre a produção de adubos orgânicos, defensivos naturais e indicações sobre a agricultura orgânica e sua importância. A ficha pode ser utilizada por qualquer pessoa que queira produzir o seu próprio adubo e deve beneficiar outras comunidades.

A pesquisa também produziu um documentário que ratifica a importância da agricultura familiar no cenário nacional, além de sete artigos apresentados em eventos regionais, nacionais e internacionais. As oficinas geraram grande troca de conhecimentos e de experiências e, o mais importante, levou desenvolvimento (socioambiental e econômico) para a comunidade.

Beira do Rio edição 157

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