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Tecnologia contra o Alzheimer

Publicado: Sexta, 29 de Março de 2019, 13h51 | Última atualização em Sexta, 29 de Março de 2019, 15h32 | Acessos: 694

Aplicativo exercita memória e raciocínio lógico de pacientes

Por Aila Beatriz Inete Foto Acervo da Pesquisa

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, progressiva e crônica. Não tem cura, mas tem tratamento. O sintoma mais conhecido é o deficit cognitivo, que normalmente atinge os idosos. Com o intuito de criar dispositivos que ajudassem as pessoas com Alzheimer, a professora Katia Maki Omura e os alunos Alanna Ferreira e Ailson Freire criaram o MemoryiLife, aplicativo de memória para pacientes com a doença.

Alanna Ferreira e Ailson Freire, à época estudantes dos cursos de Graduação em Terapia Ocupacional e em Engenharia da Computação, respectivamente, uniram o interesse em criar um produto e, com a professora, responderam ao edital Universitec/Startup-lab, que selecionou ideias inovadoras e tecnológicas dentro da UFPA.
A ideia do aplicativo acabou se tornando um projeto de pesquisa e extensão da Faculdade de Terapia Ocupacional. “Desde janeiro, nós estamos avaliando o aplicativo. Estamos trabalhando com aspectos da cognição importantes no dia a dia dos pacientes e vamos manter essa avaliação o maior tempo possível, pois sabemos que a doença evolui”, esclarece a professora.

A equipe foi motivada pela carência de material para ser utilizado com pacientes com Alzheimer. “Quando eu clinicava, tinha muita dificuldade em encontrar recursos para os meus pacientes idosos, especialmente recursos mais interativos e relacionados ao cotidiano deles”, declarou Katia Maki Omura. O aplicativo desenvolvido é indicado para todos os estágios da doença, pois ilustram funções do dia a dia do paciente.

O Alzheimer não tem cura, e os tratamentos focam os sintomas, que são: perda de memória, dificuldade em pensar e compreender, desorientação, incapacidade de fazer cálculos simples, incapacidade de reconhecer coisas comuns ou perda de memória recente. Existem várias teorias que tentam explicar o que pode levar essa morte neuronal, mas nenhuma conseguiu explicar, exatamente, o que causa isso.

“Já nos estágios mais avançados, a perda de neurônios é tão acentuada que o paciente apresenta deficit motores ao ponto de não conseguir articular a fala, perder os movimentos e ficar acamado”, explica a professora Kátia Omura. Dificilmente, alguém apresenta sintomas que indiquem que desenvolverá o Alzheimer no futuro. “Às vezes, a doença aparece em pessoas de 40 anos, mas é muito raro. No geral, começa com lapsos graves de memória de fatos que uma pessoa comum não iria esquecer. Esses lapsos são diferentes dos esquecimentos por estresse ou agitação”, afirma a professora.

Exercício, inclusão digital e fortalecimento familiar

O aplicativo possui duas categorias de jogos: um de memória e o outro de lógica. O de memória tem dois jogos, memória visual e memória auditiva; e o de lógica possui um jogo para organizar o dinheiro. No de memória visual, o paciente precisa verificar os objetos relacionados a escovar os dentes e, depois, identificar qual dos objetos sumiu. No de memória auditiva, é preciso identificar os sons que ele ouve e relacioná-los com o objeto ou o animal que está na tela refletido. Por exemplo, se for um latido, o paciente precisa identificar e apertar na imagem do cachorro.

No jogo de lógica, surgem várias cédulas na tela, e o paciente precisa apertar as imagens em ordem crescente de valor. Então, vão aparecer moedas de R$ 1,00, R$0,50 e R$0,25. A resposta correta é apertar a de R$0,25. Segundo a professora Kátia Omura, o jogo de lógica é o favorito dos pacientes por estar muito próximo da rotina deles.

“Nós estamos aplicando uma avaliação cognitiva antes. Vamos fazer o treino com o aplicativo e vamos aplicar novamente a avaliação para verificar se melhorou alguma pontuação dentro dessa escala”, explica a professora. Atualmente, a equipe trabalha em uma atualização para o aplicativo, a qual acrescentará mais jogos e funcionalidades.

Os laços afetivos, enfraquecidos pela doença, podem ser fortalecidos com o uso do aplicativo. “O memoryiLife inclui, digitalmente, o idoso. Alguns pacientes jogam com ajuda dos netos. É uma forma de fazer essa ligação geracional e aproximar a família”, avalia Kátia Omura.

Ed.148 - Abril e Maio de 2019

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