Ir direto para menu de acessibilidade.

GTranslate

Portuguese English Spanish

Opções de acessibilidade

Página inicial > Exclusivo > Mulheres e Meninas na Ciência
Início do conteúdo da página

Mulheres e Meninas na Ciência

Publicado: Quinta, 14 de Março de 2024, 15h55 | Última atualização em Quinta, 14 de Março de 2024, 17h03 | Acessos: 468

De planta ornamental a antioxidante natural

ParaTodosVerem: Fotografia colorida mostra jovem sorrindo. Ela usa equipamentos de segurança como touca e luvas descartáveis e jaleco branco. A jovem usa óculos de grau e nas mãos carrega instrumentos de laboratório utilizados para medição de líquidos.
ParaTodosVerem: Fotografia colorida mostra jovem sorrindo. Ela usa equipamentos de segurança como touca e luvas descartáveis e jaleco branco. A jovem usa óculos de grau e nas mãos carrega instrumentos de laboratório utilizados para medição de líquidos.

Por Julia Ladeira Foto Alexandre de Moraes

O organismo do ser humano está sempre trabalhando para que o seu sistema permaneça saudável. Porém, muitas vezes, seja devido ao estresse, à má alimentação, ou a outros fatores externos, há um desequilíbrio das substâncias presentes nesse sistema, provocando danos que vão desde o envelhecimento precoce da pele até a doenças como o câncer.

É o caso, por exemplo, da presença em excesso de radicais livres no organismo. Essas moléculas são produzidas o tempo todo no nosso corpo, mas são instáveis e, em grande quantidade, podem causar prejuízos às células e, inclusive, ao DNA. A boa notícia é que, nessas situações, o uso de substâncias antioxidantes auxilia na neutralização dos radicais livres.

Isso demonstra a importância da investigação etnofarmacológica das plantas, a qual permite tanto a revelação de novas espécies para uso medicinal quanto a descoberta de novos compostos ativos que podem otimizar e orientar o uso popular em tratamentos de doenças. Para contribuir com esses estudos, a pesquisadora Allana Ataíde, de 22 anos, desenvolveu, sob orientação do professor Milton Nascimento da Silva, a pesquisa que visa à Caracterização química via HRMS-LC e avaliação da capacidade antioxidante do extrato hidroetanólico das folhas de Justicia secunda Vahl M. (Acanthaceae). 

De acordo com a pesquisa, a Justicia secunda, popularmente conhecida como “raiz do sangue” e “sanguinária”, é uma espécie de arbusto originária da região amazônica, na América do Sul, mas também introduzida em países africanos tropicais e subtropicais. Apesar de ser ornamental, a planta tem o chá comumente utilizado na cultura tradicional popular para o tratamento de doenças como a anemia. 

O estudo promissor da Justicia secunda, a “sanguinária” 

A principal motivação dos estudos da jovem pesquisadora foram os resultados de pesquisas anteriores realizadas pelo laboratório ao qual está vinculada, o Laboratório de Cromatografia Líquida (Labcrol), do Departamento de Química da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Observou-se que, por ser uma espécie rica em flavonoides, compostos que costumam apresentar atividade antioxidante, seria viável realizar uma investigação acerca da natureza antioxidante do extrato hidroetanólico de Justicia secunda.”

Para a análise das amostras das folhas, foram selecionadas folhas maduras e flores e/ou frutos com aproximadamente 30 a 40cm de comprimento. O material coletado foi enviado para o Herbário da Embrapa Amazônia Oriental, situado em Belém do Pará, a fim de realizar a identificação e o registro em vouchers.

“Foi realizado o preparo da amostra, então, o seu fracionamento, uma vez que o fracionamento permite melhor analisar a natureza dos metabólitos que garantirão o resultado. Posteriormente, foi feito um estudo no equipamento chamado de HPLC (High Performance Liquid Chromatography) para caracterizar, quimicamente, os metabólitos encontrados na amostra e nas suas frações. Para finalizar, foi feito o estudo qualitativo e quantitativo antioxidante (DPPH e ABTS) das amostras”, esclarece Allana.

Segundo a pesquisadora, os resultados obtidos na análise do extrato hidroetanólico das folhas da “sanguinária” são promissores e permitem afirmar que esta é uma espécie rica em compostos fenólicos. “Esse extrato e sua fração metanol (a mais promissora) possuem capacidade antioxidante”. 

A expectativa da Allana Ataíde é dar continuidade ao estudo com a Justicia secunda, pois ainda não foram esgotadas todas as possibilidades e há muito a investigar sobre a espécie que pode proporcionar inúmeros benefícios para a sociedade em termos de futuros tratamentos fitoterápicos e aplicações biotecnológicas. 

Sobre a pesquisadora: Allana Martins dos Santos Ataide, de 22 anos, é graduanda em Farmácia pela UFPA. Atualmente, é bolsista de Iniciação Científica no Laboratório de Cromatografia Líquida (Labcrol). Atua na área da fitoquímica, química orgânica, métodos cromatográficos. Também é diretora de produção do Projeto de Extensão na UFPA intitulado "Açaí com Ciência". Allana tem interesse em continuar na área de pesquisa, ingressando no mestrado. Ler, se exercitar e ouvir música são as melhores formas de descontrair que a jovem destaca. Para as meninas e mulheres que desejam ingressar na pesquisa, ela dá a dica: “Apesar das adversidades vividas no cotidiano de uma mulher, principalmente na Academia, que é um local escasso de figuras femininas, ingressar na carreira de pesquisadora, para quem possui interesse, é algo fantástico quando se trabalha com o que você gosta de realizar. Produzir ciência em um país carente de investimentos nesse campo é algo que pode parecer árduo, mas, no final, quando você vê tudo dando certo, é recompensante”, defende. 

Sobre a pesquisa: o trabalho intitulado Caracterização química via HRMS-LC e avaliação da capacidade antioxidante do extrato hidroetanólico das folhas de Justicia secunda Vahl M. (Acanthaceae) foi realizado sob orientação do professor Milton Nascimento da Silva (Icen/UFPA), com financiamento Pibic/CNPq.  A pesquisa foi apresentada durante o XXXIV Seminário de Iniciação Científica da UFPA, realizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp), e premiada pelo Edital Pibic Verão Destaque na Iniciação Científica da UFPA (edição 2023) como representante da área de Química.

Edição: Edmê Gomes Paixão
Beira do Rio Ed.169 - Dez/Jan/Fev 2023-2024

Fim do conteúdo da página