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Comunicação para todos

Publicado: Terça, 13 de Dezembro de 2016, 15h12 | Última atualização em Quarta, 14 de Dezembro de 2016, 16h46 | Acessos: 588

Projeto garante acesso à telefonia na comunidade de Itabocal (PA)

Por Daniel Sasaki Foto Acervo da Pesquisa

Atualmente, temos diversos meios de comunicação a nossa disposição: computadores, tablets, notebooks, televisão, rádio, entre outros. Porém os celulares são os mais usados, tornando-se indispensáveis na vida da maioria das pessoas. O aparelho revolucionou o meio social de tal maneira que é quase impossível imaginar que ainda existam pessoas sem acesso a esse tipo de tecnologia. Entretanto essa é a realidade de várias comunidades isoladas na Amazônia, que não possuem acesso à internet e, muitas vezes, também não possuem acesso à telefonia.

Foi pensando na necessidade dessas comunidades que a Universidade Federal do Pará (UFPA) criou o Projeto de Extensão de Telefonia Celular Comunitária (Celcom). O trabalho já rendeu vários estudos e resultados, e um deles foi a dissertação elaborada pelo engenheiro Jefferson Breno Negrão Leite, sob orientação do professor Aldebaro Klautau Junior, intitulada Projeto de telefonia celular GSM baseada em Open Source e Open Hardware para comunidades rurais isoladas e carentes na Região Amazônica: Estudo de Caso em Itabocal – Irituia. A dissertação foi defendida em 2014, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica (ITEC/UFPA).

De acordo com Jefferson, a intenção do projeto é oferecer meios de comunicação para pessoas que vivem em comunidades afastadas das sedes dos municípios. “Observamos que, nas comunidades alvo do projeto, havia escolas. Caso as crianças quisessem realizar uma pesquisa, teriam que se conformar com os livros da biblioteca, pois não tinham acesso à internet. Verificamos que a inclusão digital era necessária nessa região”, afirma.

A ideia é implantar um sistema de comunicação via telefonia celular alternativa e de baixo custo, para que o serviço seja disponível de forma gratuita à comunidade. A partir dessa ideia, surgiu o Celcom. “Utilizamos uma tecnologia de 2ª Geração (Global System for Mobile Communication) por se tratar de uma tecnologia com mais de 20 anos de existência, já desenvolvida em código aberto (open source), ou seja, disponível para qualquer pessoa que queira utilizá-la. Em seguida, vimos que poderíamos utilizar equipamentos de baixo custo (open hardware), que poderiam funcionar como uma rede GSM, que dá acesso a ligações e troca de mensagens via SMS”, explica o engenheiro.

Moradores irão administrar distribuição de créditos

Uma das comunidades escolhidas para implementação do projeto foi Itabocal, localizada a 13 km da sede do município de Irituia, no nordeste paraense. Enquanto a sede do município conta com acesso à internet móvel, os 500 habitantes de Itabocal não têm acesso à telefonia. “Quando ouviu falar no projeto, a comunidade ficou muito empolgada, principalmente os estudantes dos ensinos fundamental e médio, que viram no projeto uma oportunidade para melhorar seu aprendizado”, lembra Jefferson Breno Negrão Leite.  

Com o projeto, os membros da comunidade podem utilizar um celular comum que, hoje, está sendo descartado. “A nossa ideia é reciclar esses celulares e distribuí--los para as pessoas na comunidade. Eles conseguem utilizar o sistema sem que haja necessidade de configuração. Nós conseguimos registrar o chip de qualquer operadora em nossa rede, a Celcom. Ao receber o celular, a pessoa também receberá um número próprio para uso dentro da comunidade”, esclarece Jefferson.

Limites – Para que o serviço funcione com qualidade e sem congestionamento, é necessário que haja uma limitação em seu uso. Para isso, um sistema (Celcom Biller) vai administrar o limite de crédito das pessoas. A ideia é que a própria comunidade administre esse sistema. “O correto é que eles decidam a melhor maneira de fazer a distribuição de créditos. Por exemplo, o líder da comunidade talvez deva ter mais créditos, pois lida com situações diárias do local. As crianças que tirarem as melhores notas nas escolas talvez devessem ganhar mais créditos por conta dos seus esforços. Mas o mais importante é que a própria comunidade abrace a ideia e administre a distribuição de créditos”, explica Jefferson Leite.

Para o pesquisador, esse envolvimento da comunidade é fundamental, pois ela é corresponsável pela implementação e manutenção do sistema. “A ideia do celular comunitário não é que a Universidade se transforme em uma operadora, pois não temos recursos suficientes para isso. Nossa intenção é capacitar a comunidade envolvendo estudantes que tenham algum interesse em engenharia. Inicialmente, daremos o suporte e, com o tempo, eles aprenderão a agir por conta própria. Assim as pessoas desenvolvem um sentimento de pertencimento ao projeto”, ressalta.

Desde 2015, o projeto conta com a parceria da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet). Pelo convênio firmado, serão implantados dois projetos-piloto de telefonia celular e internet comunitárias: um, em Itabocal; e outro, na área de abrangência da Floresta Nacional de Caxiuanã. Em Itabocal, a meta é que o serviço esteja em pleno funcionamento ainda este ano.

Prêmio Vale-Capes

Em julho passado, a pesquisa de Jefferson Leite foi contemplada com o Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade de melhor dissertação na categoria Tecnologias Socioambientais, com ênfase no combate à pobreza. Para ele, a premiação vai além da sua importância acadêmica. “Foi gratificante, pois o prêmio deu visibilidade para o projeto. Nós queremos impactar a vida dessas pessoas, mudar o seu estilo de vida. O principal objetivo, além do conhecimento científico, é poder dar um retorno social a essa comunidade”, finaliza.

Ed.134 - Dezembro e Janeiro de 2016/2017

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