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Entrevista: Intercâmbio, cultura e formação

Publicado: Terça, 11 de Dezembro de 2018, 16h48 | Última atualização em Terça, 11 de Dezembro de 2018, 17h28 | Acessos: 798

Casa de Estudos Germânicos inicia as comemorações pelos 50 anos 

Por Walter Pinto Foto Alexandre de Moraes

Há cinquenta anos, a UFPA e o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) protocolaram um convênio para a criação da Casa de Estudos Germânicos, a primeira casa criada na UFPA especialmente para o estudo de uma língua estrangeira. A CEG, em seus primórdios, funcionava num imóvel na rua Presidente Pernambuco, esquina com a rua Dos 48, no centro de Belém. Das apostilas datilografas e impressas em mimeógrafo ao material audiovisual de hoje, a CEG consolidou uma história de sucesso, tendo contribuído para a formação de várias gerações. Katja Hölldampf, a nova leitora do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) chegou recentemente a Belém. Nascida num vilarejo alemão de cerca de 3.500 moradores, fez faculdade em Passau, pequena cidade da Baviera, na fronteira com a Áustria e a República Tcheca. Em 2007, veio para o Brasil, onde estudou na Bahia, transferindo-se, depois, para o Rio de Janeiro. Desde agosto, ela está à frente da CEG. Nesta entrevista, ela fala da programação comemorativa dos 50 anos da Casa, que será realizada em 2019, da inserção da CEG na cultura amazônica, dos planos em buscar mais visibilidade para a instituição e confessa sua paixão pelo Brasil e por Belém.

A visibilidade da CEG

A Casa de Estudos Germânicos está completando cinquenta anos de funcionamento na Universidade Federal do Pará. Cheguei recentemente para assumir o cargo de leitora, equivalente à coordenadora da CEG. Há muitos desafios pela frente. Um deles está na área de Tecnologia da Informação, fundamental para a nossa estratégia de dar mais visibilidade à Casa. Estamos, evidentemente, empenhados em resolvê-lo, com ajuda de pessoal competente. Entendo que não adianta realizarmos projetos culturais e oferecer múltiplos serviços sem uma estratégia eficiente de comunicação e divulgação. É preciso dar mais visibilidade às realizações e aos eventos. O importante, agora, é partir dos aspectos positivos e trabalhar para o crescimento da Casa.

Inserção na sociedade

A Casa de Estudos Germânicos é responsável pelo Curso Livre de Alemão (CLA), oferecido desde a sua fundação. Em 2016, a Faculdade de Letras Estrangeiras Modernas, do Instituto de Letras e Comunicação da UFPA, assumiu a coordenação do curso livre. A CEG também desenvolve o serviço de aconselhamento de bolsa para estudos e pesquisa na Alemanha. Estamos organizando uma programação cultural para o ano de 2019, em comemoração aos 50 anos da CEG. Queremos dinamizar a sua inserção não só no ambiente universitário mas também na comunidade externa. Evidentemente, não adianta fazer tudo isso se poucos sabem onde fica a Casa. Ela já demonstrou, no decorrer da sua história, capacidade de trânsito entre o saber acadêmico e a cultura popular. Então, o objetivo, agora, é dar visibilidade aos projetos, cursos, serviços e eventos por dentro e por fora da Universidade.

Programação Cultural

Toda a programação cultural da Casa de Estudos Germânicos é promovida pelo Instituto Goethe. Contamos com a parceria da Escola de Aplicação e da Faculdade de Letras, da UFPA. A Escola de Aplicação possui em seu currículo a disciplina Língua Alemã, e a FALEM, além do curso de Licenciatura, Habilitação em Língua Alemã, desenvolve um projeto de extensão de alemão para cantores. Algumas coisas vão acontecer antes da programação oficial. A escritora alemã Anne Weber, que faz tradução literária e mora em Paris, virá a Belém para participar de uma oficina de tradução e debate, em cooperação com o curso de Letras/Francês da UFPA. Queremos uma programação mais performática, mais teatral, dentro da estratégia de promover a visibilidade da Casa. Isso passa pela criação de um selo comemorativo dos 50 anos, em fase de execução na Oficina de Criação (ILC/UFPA), bem como pela produção de uma exposição sobre a Casa de Estudos Germânicos, por meio de fotografias, documentos, cartazes e matérias jornalísticas, a qual se encontra em fase de coleta de fontes. Uma coisa interessante do leitorado é ter certa liberdade para a promoção de atividades, fazê-las acontecer. É gratificante observar o interesse dos estudantes por elas. Penso que é muito importante criar essas conexões. Já como parte da programação comemorativa, trouxemos o professor Armando Barroso, um dos nossos primeiros alunos, para ser entrevistado pelos atuais estudantes. Foi muito interessante ver a galera nova, que está se familiarizando com o alemão, querendo saber como era o funcionamento da Casa e as metodologias de ensino, os livros. Neste evento, percebi a Casa de Estudos Germânicos como um espaço aberto, capaz de agregar todos os interessados em troca de ideias e experiências sobre a cultura e a língua alemãs.

Internacionalização

O que está em pauta, agora, é a chamada internacionalização do ensino superior. Um dos principais objetivos dos alunos do curso livre é estudar na Alemanha. Recentemente, realizou-se, em São Paulo, o Encontro de Coordenadores do Programa Idiomas sem Fronteiras, responsável pela formação de estudantes em línguas estrangeiras para a realização de estudos fora do Brasil. O ISF surgiu dentro do Programa Ciências sem Fronteiras e atua com oito idiomas. A língua alemã se destaca entre as de maior interesse, sempre com um crescente aumento de demanda. O público-alvo que escolhe alemão o faz sempre por interesse acadêmico.

1968 na Alemanha

É interessante observar que o convênio entre a UFPA e o DAAD, de criação da Casa de Estudos Germânicos, data de 1968, um ano emblemático em todo o mundo. Assim como na França, 68 foi um ano marcante na Alemanha, tanto sobre o ponto de vista político como sobre as questões de costumes. A emancipação da mulher e os movimentos ecológicos começaram a surgir naquela época. Então é bastante provável que a nossa programação dos 50 anos se articule em torno de 68 na Alemanha, dialogando com o movimento tropicalista brasileiro. Existem muitas ideias, e eu adoro ter essa liberdade para realizar vários encontros na cidade.

Brasil e Belém

Acho que o Brasil é um país que tem certo nível de loucura. É muito diversificado, de uma cultura rica e regionalmente diferente. Eu fiquei muito curiosa em conhecer a Amazônia, montar uma vida em Belém como construí no Rio de Janeiro. Parece um pouco paradoxal, mas quanto mais eu moro no Brasil, menos eu o entendo e isso me atrai. Falam que Belém é a cidade do “já teve”, já teve isso, já teve aquilo, agora não tem mais. Estou há pouco tempo na cidade, não tenho essas referências para comparar. Mas estou gostando muito dela, do seu fluxo, de conhecer novas pessoas e rever outras. Em termos culturais, há muita coisa acontecendo.

A experiência amazônica

Na verdade, eu não acho o português uma língua fácil, comparando com o alemão que dizem ser muito difícil. Mas o contato direto com a língua, com o país, com os falantes são coisas que estimulam a entender a cultura e, consequentemente, a aprendizagem do idioma. Morei por algum tempo no Rio de Janeiro. Trabalhei como assistente de ensino da língua alemã, contemplada por uma bolsa do DAAD, o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico. Sempre tive interesse em conhecer e viver na Amazônia. Sou apaixonada por fotografia, e a Amazônia é um ambiente privilegiado para a fotografia. A Casa de Estudos Germânicos está localizada numa universidade que é uma das maiores do País, em um grande Estado do Norte, numa cidade de mais de quatro séculos, dotada de uma rica cultura popular. Todos esses ingredientes me fascinam de verdade.

Ed.146 - Dezembro e Janeiro de 2018/2019

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