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Política em 140 caracteres

Publicado: Terça, 11 de Dezembro de 2018, 16h37 | Última atualização em Quarta, 12 de Dezembro de 2018, 14h50 | Acessos: 19797

Dissertação analisa campanha eleitoral no Twitter

3.245 tweets foram analisados nos perfis @dilmabr @aecioneves e @aecioblog de julho de 2013 a outubro de 2014.
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Por Armando Ribeiro Ilustração Walter Pinto

As redes sociais se inserem na modernidade como um dos palcos relevantes para o debate público, aproximando as pessoas de assuntos diversos. Nesse contexto de cliques, Facebook, Google e Twitter levantam uma nova questão para o campo da política: quantos seguidores são necessários para fazer um voto?

A cientista política Alana Karoline Fontenelle Valente se dedicou a estudar as campanhas dos então candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves, nas eleições de 2014, e suas estratégias na rede social Twitter, o que, para ela, configura olhar o comportamento específico e direcionado utilizado nessa plataforma e quais objetivos eles pretendiam atingir com isso. Dessa análise, surgiu a dissertação Campanhas em 140 caracteres: estratégias de campanha permanente e campanha eleitoral no Twitter, orientada pela professora Marise Rocha Morbach e defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP/IFCH).

A pesquisadora explica que as campanhas de 2014 bateram o recorde de interação nas redes sociais: foram cerca de 5,96 milhões de postagens por dia no Facebook, em três meses e meio de campanha. Já no Twitter, de acordo com dados da BBC Brasil em 2014, foram 39,85 milhões de mensagens. “Com frequência, a eleição estava entre os Trending Topics (assuntos mais populares) do aplicativo, com hashtags como #Aecio45PeloBrasil e #DilmaMudaMais”, aponta Alana Fontenelle.

Pela primeira vez, em 2014, a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que mais da metade das casas no Brasil estava conectada à internet 54,9%. A pesquisa ainda indica que o país possuía 54,4% de internautas acima dos 10 anos. Já em 2016, a Pnad Contínua indicou um aumento de 10,3%, ou seja, foram 64,7% de pessoas conectadas à internet. Para a pesquisadora, esse cenário exige dos candidatos uma adaptação à linguagem das redes, com maior interação e conteúdos que vão além do período eleitoral oficial. Caso contrário, eles correm o risco de desaparecer.

As redes sociais possibilitam aos candidatos maior proximidade com o público. Alana Fontenelle enumera algumas vantagens: o candidato pode criar seu próprio conteúdo, sem a interferência do filtro jornalístico; ele fala diretamente com o eleitor, gerando aproximação e confiança; os custos são mais baixos do que na mídia tradicional; fora do período eleitoral, o agente político pode ter uma conta nas redes sociais e uma estratégia de campanha a longo prazo.

Hashtag, tweet e retweet como estratégias

O trabalho verificou os perfis @dilmabr, @aecioneves e @aecioblog. A análise de dois perfis do candidato Aécio Neves surgiu como alternativa aos baixos números de tweets do perfil oficial do candidato, que possuía a conta desde 2008, mas só começou a utilizá-la cinco meses antes do período eleitoral. A pesquisa cobriu o período de julho de 2013 até 5 de outubro de 2014, dividindo-o em três partes: a Campanha Permanente (julho de 2013 a 31 de março de 2014), a Pré-Campanha (1º de abril de 2014 a 30 de junho de 2014) e a Campanha Eleitoral (1º de julho de 2014 a 5 de outubro de 2014).


A primeira etapa foi a análise e classificação de cada tweet, que, no total, foram 3.245. A segunda foi a identificação dos propósitos de cada tweet, e a terceira corresponde ao estudo do uso estratégico dos recursos disponibilizados pelo aplicativo, como menções, replicações, hashtags, hiperlinks e imagens. “Assim, quantificamos o volume com que apareceram determinadas mensagens, a presença e o uso de recursos argumentativos. Verificamos para quais funcionalidades foram usados os recursos de menção e retweet, quais as pretensões dos agentes políticos ao inserirem hiperlinks e em quais categorias os candidatos usam as hashtags. Dessa maneira, encontramos o caráter político-estratégico do Twitter em suas possibilidades tecnológicas interativas”, relata a cientista política.


O perfil de Dilma Rousseff, no período de campanha permanente, optou por utilizar conteúdos de divulgação das realizações do governo e, consequentemente, do seu trabalho, empregando, principalmente, hashtags para destacar um tema. Já no período de pré-campanha, crescem os conteúdos classificados como “divulgação de notícia” e “promessas e projetos de campanha”. No período da campanha eleitoral, a estratégia era buscar visibilidade, tirando dos tweets o caráter de divulgação e de informação para conteúdos que provocassem maior engajamento.


No caso do candidato Aécio Neves, a análise dos dois perfis demonstrou que as campanhas se complementavam. Enquanto o @aecioblog interagia com os usuários, o @aecioneves se posicionava em relação a projetos e propostas. Na campanha permanente, o perfil tentava usar o Twitter para estabelecer um canal de diálogo e interação, com a construção de uma imagem viável para presidente. Para isso, apostou nos tweets de posicionamento e críticas ao governo, além de mostrar como a sua gestão seria melhor. No período de pré-campanha, essa estratégia foi intensificada, sendo marcada pelo início da Operação Lava-Jato e pelas críticas à organização da Copa do Mundo. O período de campanha eleitoral dos perfis de Aécio Neves foi marcado pela tentativa de engajamento com os cidadãos, fortemente destacado pelas hashtags.

Estaríamos diante de um #NovoContexto?

Essas novas mídias on-line representam uma expansão da própria democracia na medida em que aumentam e fortalecem um espaço para o debate e o diálogo. Candidatos abertos que buscam o engajamento servem para indicar como Twitter, Facebook e outras redes modificaram o comportamento político daqueles que as acessam. “O campo político é relativamente fechado, com disputas de poder, mas com o qual se compartilham um código e uma cultura atualizados constantemente, exigindo dos novatos a aceitação, o conhecimento e o aprendizado”, explica Alana Fontenelle.

A dissertação aponta que a interação existente entre os candidatos e os usuários ainda era limitada, pois o risco de perder o controle sobre a informação é grande. “A interação do mundo off-line também vai ser muito controlada. Passeatas, comícios, encontros com lideranças são pensados para se limitarem, muitas vezes, a um aperto de mão. As campanhas eleitorais são pensadas para persuadir, fala-se para ganhar, não para aprender ou ensinar, são antideliberativas, e não existe nada que indique ao político que o seu comportamento on-line deveria ser diferente”, avalia a cientista política.

Por mais que estruturas do mundo off-line se repitam no on-line, nenhum candidato subestima o poder que vem das redes, abrindo possibilidade para campanhas e construções de imagens que começam bem antes das eleições. E essa influência, a partir de 2018, terá ainda mais destaque com a autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao patrocínio e ao impulsionamento de posts no Facebook e Google por candidato, por hora. Apenas o Twitter optou por vetar os anúncios políticos. O quanto essas redes interferem na hora do voto, somente mais experiências eleitorais poderão dizer.

De olho nas redes: Qual o limite das propagandas na internet?

• Os candidatos e as candidatas não podem fazer propaganda em sites oficiais do governo nem de empresas;
• Os eleitores, em suas redes pessoais, podem divulgar determinados candidatos, contanto que não contenham ofensas a terceiros e/ou com conteúdo sabidamente falso;
• As campanhas eleitorais podem pagar para conseguir destaque nas buscas do Google.
• Impulsionar mensagens no Facebook e no Instagram está autorizado, mas deve conter a palavra “patrocinado”.
• É proibido impulsionar conteúdos que tenham o objetivo de ofender outros candidatos/candidatas e legendas;
• É proibido usar perfis falsos para veicular publicações com objetivos eleitorais, assim como está proibido o uso de “robôs” para distorcer a repercussão das publicações;
• Ao fazer vaquinhas virtuais ou crowdfunding para arrecadar recursos de campanha, os candidatos não podem pedir votos.

Ed.146 - Dezembro e Janeiro de 2018/2019

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Campanhas em 140 caracteres: estratégias de campanha permanente e campanha eleitoral no Twitter

Autora: Alana Karoline Fontenelle Valente

Orientadora: Marise Rocha Morbach

Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP/IFCH)

Comentários  

0 #1 918kiss deposit 09-03-2019 09:38
Good article. I will be experiencing a few of these issues as well..
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