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Envelhecimento e saúde

Publicado: Segunda, 28 de Maio de 2018, 18h11 | Última atualização em Terça, 29 de Maio de 2018, 15h02 | Acessos: 492

Dissertação avalia quais doenças poderão afetar os idosos até 2020

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Por Armando Ribeiro Infográfico Priscila Santos

Uma das maiores preocupações de quem chega à terceira idade é ter conforto, por isso os investimentos em aposentadorias privadas e planos de saúde estão cada vez mais recorrentes. Esse comportamento reflete a transformação social que o Brasil está vivendo com o envelhecimento da sua população. No entanto o médico Yuji Magalhães Ikuta faz um alerta: ainda são poucos os estudos voltados para a velhice e esse número decresce quando se fala das doenças infecciosas.    

Pensando em quais agravos podem afetar a população idosa no futuro, Yuji Ikuta escreveu a dissertação Aspectos epidemiológicos das doenças infecciosas em idosos no Estado do Pará, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais (NMT/UFPA),  orientada pela professora Marília Brasil Xavier.

O médico conta que a pesquisa avaliou a incidência das doenças infecciosas ao longo da história e, baseado nessa avaliação, fez uma projeção da tendência dessas patologias até 2020. “O estudo, em razão da sua abrangência, demonstra o cenário da realidade do Brasil e suas especificidades regionais e, neste sentido, serve como um alerta para a população e para os gestores, pois foram identificadas elevadas incidências de doenças que já deveriam ter sido erradicadas. A partir disso, é fundamental que medidas de prevenção e combate sejam tomadas”, avalia.

Para Yuji Ikuta, as doenças mais recorrentes foram aquelas identificadas entre a população de renda baixa. O professor utiliza a malária como exemplo desse fato, afirmando que, enquanto nos centros urbanos ela já foi erradicada; nas cidades do interior do Estado o diagnóstico ainda é comum. “Toda campanha que é feita tem um resultado, mas devemos avaliar se ele é o melhor possível. É preciso questionar o ‘controle’ e verificar o porquê dessa doença ainda existir. Somente aprendendo com os nossos erros é que vamos poder acabar com essas infecções”, observa.

Alta incidência de AIDS, dengue e hepatites

O professor informa que utilizou 14 doenças infecciosas de notificações compulsórias, que ocorreram especificamente em idosos: dengue, tuberculose, hanseníase, leishmaniose tegumentar americana (LTA), hepatites, AIDS, doença de chagas, leptospirose, leishmaniose visceral (LV), meningite, tétano, febre tifoide, malária, esquistossomose. O estudo contou com a coleta dos dados disponíveis no Sistema de Informações de Agravos de Notificações (SINAN) sobre essas doenças, entre os anos de 2003 e 2012.

Com essa metodologia, foi possível verificar o cenário de cada doença. A partir disso, foi realizada a comparação dos dados com os do Pará e com os da população não idosa. Foi observada alta incidência de AIDS, LTA, dengue, hepatites, LV e doença de chagas, manutenção das taxas de tuberculose, hanseníase, leptospirose, meningite, tétano e esquistossomose, e redução dos índices de malária e febre tifoide. Enquanto a tuberculose, a hanseníase, a dengue, a LTA e as hepatites virais em idosos, nos últimos anos, tiveram um aumento em relação à população não idosa.

De acordo com a pesquisa, até 2020, a tendência da AIDS, da dengue e da tuberculose é aumentar; da malária e da febre tifoide decrescer; e da hanseníase, se manter. Já no Pará, a incidência das doenças infecciosas mostrou-se maior que no Brasil, com a dengue, a tuberculose, a hanseníase, a LTA, as hepatites e a AIDS tendo destaque.
Para Yuji Ikuta, as questões de saneamento e de educação são fundamentais para o planejamento e a abordagem da saúde nas comunidades e devem ser prioridade dos governos. Ele explica que devem existir medidas de curto prazo que eliminem o ciclo de transmissão dessas doenças e planejamento de ações para expandir e qualificar o sistema de saúde.

“Nós esquecemos que esse grupo pode ter infecções, como as DSTs, e fazemos políticas que não o alcançam. Nesta pesquisa, uma das doenças que mais apareceram foi a AIDS, porque esse grupo não tem por hábito usar camisinha. Então, fazer campanhas que os incentivem e ensinem a usar o preservativo e preparar o profissional da saúde para lidar com essa demanda é fundamental”, afirma.

Ed.143 - Junho e Julho de 2018

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Aspectos epidemiológicos das doenças infecciosas em idosos no Estado do Pará

Autor: Yuji Magalhães Ikuta

Orientadora: Marília Brasil Xavier

Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais (NMT/UFPA)

Comentários  

0 #1 CLAUDETE SENA DA SIL 26-06-2018 13:18
Saber usar com certeza eles sabem, o problema é comprar o produto, ficam com vergonha devido a idade.
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