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Reinventando a sala de aula

Publicado: Sexta, 01 de Fevereiro de 2019, 13h33 | Última atualização em Quarta, 06 de Fevereiro de 2019, 16h07 | Acessos: 874

Professor usa Whatsapp para ensinar Matemática 

Por Renan Monteiro Foto Acervo da Pesquisa

A todo momento e em qualquer lugar, pessoas conectadas em rede podem interagir com facilidade. Mas como utilizar a acelerada interlocução das redes sociais em prol da educação? O professor de Matemática Michel Silva dos Reis desenvolveu uma pesquisa com esse viés. Intitulado O ensino e a aprendizagem de matrizes no contexto da resolução de problemas e da plataforma Whatsapp, o estudo foi defendido no Programa de Pós-Graduação em Docência em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGDOC/IEMCI), com orientação do professor Osvaldo dos Santos Barros.

A pesquisa foi elaborada com os alunos da Educação de Jovens e adultos (EJA) do Ensino Médio, no período de junho a agosto de 2016. A turma era composta por 25 alunos da segunda etapa do Ensino Médio (segundo e terceiro anos condensados), moradores do bairro Bengui, com idade entre 22 e 52 anos. “Como os alunos utilizavam muito o Whatsapp e ficavam dispersos em sala de aula, achei pertinente utilizar esse meio de comunicação para discutir Matemática. Então a pergunta da pesquisa seria: como utilizar o Whatsapp como forma de estudar a Matemática (especificamente Matrizes) e dar mais autonomia aos estudantes?”, explica Michel Reis.

A escolha do conteúdo Matrizes deu-se pelo interesse dos alunos e pela relevância do estudo. O pesquisador explica que as aulas com turmas da modalidade de aceleração da escolarização não podem ter características de aula comum. É necessária uma motivação diferenciada. Na busca por essa motivação, os elementos encontrados foram o Whatsapp e o método de Resolução de Problema do teórico George Polya, que propõe quatro passos para resolver os problemas matemáticos.

O Método de Resolução de Problemas foi trabalhado em sala de aula. O primeiro passo foi entender o problema, o segundo foi traçar um plano para esse problema, o terceiro foi executá-lo e o último foi fazer um retrospecto. No contexto do Whatsapp o professor era o mediador, “Nós fazíamos uma sala de aula ampliada. As dúvidas e outras discussões eram resolvidas na plataforma Whatsapp. Os alunos trabalharam dialogicamente no grupo virtual desenvolvendo as atividades pedagógicas apresentadas, como num fórum de discussão. Eles interagiram trocando mensagens ou fotos, enviando respostas aos questionamentos propostos, além de fazerem pesquisas”, relata o professor.

Resultado: maior desempenho e autonomia

O professor explica que o aplicativo, pelo modo como foi utilizado, consistiu em um instrumento com um alto potencial didático para as aulas de Matemática, pois os diálogos no grupo virtual ampliaram o tempo de estudo dos alunos, além de proporcionar o registro das conversas e as explicações do professor. Neste sentido, o aplicativo Whatsapp tornou-se também um meio de revisão e registro dos assuntos. “Os alunos demonstraram motivação na busca de elementos para o estudo de Matrizes, participaram das resoluções de problemas perante seus colegas, sem inibições, demonstraram interesse pelo objeto de estudo em questão, além de construírem e solucionarem problemas criados por eles próprios”, comemora Michel Reis.

Um aspecto importante era como os alunos trabalhavam com elementos do cotidiano, ao desenvolver suas questões, responder aos questionamentos do professor ou discutir em grupo. Ao explicar o que é uma Matriz Quadrada, por exemplo, os alunos descreviam ou enviavam fotos de objetos do seu ambiente de trabalho ou familiar. Outro aspecto interessante é que eles faziam a reificação dos conceitos. Aspectos de Matrizes difíceis de memorização, os alunos conceituavam de maneira informal, mas assertiva. Para o pesquisador, isso é indício de autonomia e aprendizagem.

Todos os 25 alunos da turma do 2º ano EJA/Médio realizaram testes. Foi analisado o desempenho da mesma turma com e sem o Whatsapp. Nos dois bimestres, sem a mediação do aplicativo, houve queda no desempenho dos alunos nos testes realizados para as primeiras avaliações antes da aplicação do projeto de pesquisa. Já com o apoio pedagógico do ambiente virtual, foi possível melhorar pontos de dificuldade, de baixo interesse, de não compreensão dos vocabulários matemáticos ou de falta de repertório dos conteúdos.

Para Michel Reis, é necessário utilizar, estrategicamente, os meios tecnológicos em prol da educação. “Não estou defendendo a tese de deixar de lado a aula tradicional (presencial e escrita), porque o aluno precisa estar presente em sala, ler e escrever. O Whatsapp vem como auxílio, e nós tivemos um resultado satisfatório, observando maior desempenho, autonomia e interesse dos alunos”, conclui o professor.

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